Sabia que aquele relacionamento não ia para frente. Não que ele tenha me traído - o que não duvido que tenha acontecido, mas prefiro pensar que era um pensamento incongruente, apenas; mas porque ele não tinha imaginação.
Ah, ele tinha sim, mas sem querer compará-lo nem aumentar minha bola, ele não chegava aos pés da minha; poderia passar horas pulando de universo em universo, conhecendo sentimentos novos em apenas uma página; já ele, tinha apenas o costume de viver na mesma bolha circular.
Era sua idéia de "imaginação".
Então não havia mais motivos para continuarmos juntos. De certo gostava dele, e sabe Deus como, mas também gostava muito de meus mundos. E ele me transformara em um alguém tão sem graça quanto ele.
Chega. Não queria mais.
"Cuide da sua vida!", ele me disse, naquela noite fria e úmida de Julho.
Mal pude conter minha risada quando afirmei-lhe:
"Tenho várias vidas, porque leio; e algumas centenas de milhares a mais, porque também escrevo. Vai ver é por isso que este relacionamento não deu certo" e finalizei, com um olhar tenro "porque você não está suficientemente preparado para jornadas, para outras vidas. Você apenas têm duas; no dia que quiser desbravar todas as aventuras e todos os sentimentos que só um livro pode te proporcionar, você me liga... ou melhor: mande uma carta; é uma nova história a ser contada.".
E parti, deixando-o a mercê de sua própria realidade circular.
(Aimee Lee)
#
"O tic-tac do meu relógio me faz despertar. Lentamente, sem abrir os olhos, tento dar-me conta de onde raios estou. Meu corpo parece ter percorrido quilômetros, o travesseiro descansa meus olhos inchados e meus neurônios dilacerados. Meu corpo continua em repouso, e a cada movimento, sinto dor, como se qualquer movimento que fizesse ocasionasse a perda de um membro - portanto fico quieta, de lado, olhando para a parede, tentando voltar ao sono.
Mas ainda com a pergunta pairando no ar: O que aconteceu?
Escuto uma movimentação de porta abrindo lentamente mas não a escuto fechar; é como se apenas a encostassem. Sinto uma mão em meu ombro e devagar, viro-me para o outro lado. Seus olhos são esverdeados, seus cabelos, curtos e castanhos; és baixa e sua pele, alva. Seus lábios curtos sorriem de soslaio em seu rosto meio triangular.
- Está bem?
Sem forças para responder, confirmo de leve com a cabeça mas ainda me sinto estranha. Como se fosse intimidada.
- É uma pena, - suspira. - acho que minha dose foi muito fraca.
De seu sorriso confortador sai um sorriso presunçoso e então dou-me conta de quem é aquela pessoa.
- Demorou para me reconhecer? - ri irônica. - Não se preocupe, tomarei mais cuidado para que da próxima, você não reconheça mais ninguém... e que ninguém mais a reconheça!
- Sai daqui! - grito com um fio de voz, aterrorizada com a visita inesperada. Mas meu pavor é tanto que não consigo chamar enfermaria ou médicos. - Sai!
- O que acontece? - a porta novamente se abre e dessa vez, entra um homem relativamente alto, sua pele, morena. Seus olhos castanhos e seus cabelos curtos também me assustam. - Ah, olá! - sorri para mim. - O que está fazendo acordada e aqui? Achei que fosse apenas te encontrar em uma casa de repouso para loucos!
Ele e a moça de olhos claros desatam a rir.
Trêmula, só consigo me recostar na cama, aflita.
- Estava justamente contando a ela que acho que ainda fui muito boazinha. Devia ter exagerado mais, sentido mais a adrenalina! - conta com fervor. - Mas há sempre uma próxima vez, não é, meu amor?
- Eu vou sair daqui! E vocês nunca mais vão interferir na minha vida, nunca mais!
- Claro que não vamos mais interferir na sua vida... porque vamos detonar com ela antes que você pense nisso novamente!
As lágrimas insistem em cair de meus olhos inchados e doloridos, enquanto ambos continuam falando, mostrando como tudo será maravilhoso quando eu sumir de vez.
Meu coração bate tão forte que não encontro mais forças, e suas vozes vão ficando cada vez mais abafadas por conta do barulho.
Sinto meus olhos fechando lentamente. O que eu faço...
(continua)
Mas ainda com a pergunta pairando no ar: O que aconteceu?
Escuto uma movimentação de porta abrindo lentamente mas não a escuto fechar; é como se apenas a encostassem. Sinto uma mão em meu ombro e devagar, viro-me para o outro lado. Seus olhos são esverdeados, seus cabelos, curtos e castanhos; és baixa e sua pele, alva. Seus lábios curtos sorriem de soslaio em seu rosto meio triangular.
- Está bem?
Sem forças para responder, confirmo de leve com a cabeça mas ainda me sinto estranha. Como se fosse intimidada.
- É uma pena, - suspira. - acho que minha dose foi muito fraca.
De seu sorriso confortador sai um sorriso presunçoso e então dou-me conta de quem é aquela pessoa.
- Demorou para me reconhecer? - ri irônica. - Não se preocupe, tomarei mais cuidado para que da próxima, você não reconheça mais ninguém... e que ninguém mais a reconheça!
- Sai daqui! - grito com um fio de voz, aterrorizada com a visita inesperada. Mas meu pavor é tanto que não consigo chamar enfermaria ou médicos. - Sai!
- O que acontece? - a porta novamente se abre e dessa vez, entra um homem relativamente alto, sua pele, morena. Seus olhos castanhos e seus cabelos curtos também me assustam. - Ah, olá! - sorri para mim. - O que está fazendo acordada e aqui? Achei que fosse apenas te encontrar em uma casa de repouso para loucos!
Ele e a moça de olhos claros desatam a rir.
Trêmula, só consigo me recostar na cama, aflita.
- Estava justamente contando a ela que acho que ainda fui muito boazinha. Devia ter exagerado mais, sentido mais a adrenalina! - conta com fervor. - Mas há sempre uma próxima vez, não é, meu amor?
- Eu vou sair daqui! E vocês nunca mais vão interferir na minha vida, nunca mais!
- Claro que não vamos mais interferir na sua vida... porque vamos detonar com ela antes que você pense nisso novamente!
As lágrimas insistem em cair de meus olhos inchados e doloridos, enquanto ambos continuam falando, mostrando como tudo será maravilhoso quando eu sumir de vez.
Meu coração bate tão forte que não encontro mais forças, e suas vozes vão ficando cada vez mais abafadas por conta do barulho.
Sinto meus olhos fechando lentamente. O que eu faço...
(continua)
Esperança #01
"Eis que ela ainda estava presente, a Depressão.
Ela parecia não querer ir embora nunca, que diabos!
Parecia que quanto mais eu implorasse, mais a Depressão ria desdenhosa, cruzando os longos braços ao dizer que eu poderia me tacar de uma ponte, que ela estaria sempre ali.
Irritada, taquei um vaso contra a sua escuridão.
A Escuridão da minha cabeça, da minha mente, da minha vida.
Mas algo aconteceu...
Eis que no meio do negro, vi um pontinho de luz, solitário, perdido.
Brilhava feito diamante e parecia sorrir em minha direção.
Eu, com os olhos inchados de tanto chorar, a voz rouca de tanto gritar, senti-me impelida a ir até ela...
Devagar, me aproximei e que coisa, era um pontinho bem pequenino no meio da Escuridão!
- É, você, você e você! - disse uma voz divertida. Olhei para os lados confusa. - Sentiu minha falta?
- Eu? Quem é você?
- Eu? - ela deu uma risadinha. - Oras, eu sou eu! Bem, na verdade eu sou você. Resolvi aparecer de repente, depois que você recebeu aquele cumprimento.
- Como...?
- Sou a Esperança, sua tolinha! - continuou rindo. - Você ficou tanto tempo nessa escuridão toda que até esqueceu de mim... - fez voz de choro. Continuei calada. - Se bem que... não importa! Vim te mostrar que nem tudo está perdido! Sua Ira fez você tacar aquele vaso e ele me acordou de um momento "estou hibernando"! Só que eu tenho que acordar todo mundo agora e estou morrendo de preguiça... Preciso da sua ajuda.
- Ajuda? Mas para que?
- Para acordar todas as outras pequenas Esperanças!
- Mas eu não quero - dei de ombros. - Estou bem assim... ninguém se importa!
- Eu me importo! - ela inflou de Revolta e cutucou um outro ponto na escuridão. - Esperança, ei, você! Acorda!
A outra acordou, iluminando mais um tiquinho da Escuridão.
- Ela não quer mais acreditar em nós! Não é um absurdo?
- Hein? Não acredita? - o outro Pontinho Brilhoso revoltou-se. Acho que era a Esperança Convencida. - Olha, meu bem, você pode até não querer acreditar, mas estou pouco me lixando para isso! Nem que eu precise acordar todo mundo, de uma em uma, você vai voltar a acreditar em nós!
E assim a Escuridão causada pela minha Depressão deu lugar ao Brilho da minha Esperança, agora renovada."
(Aimee Lee)
Ela parecia não querer ir embora nunca, que diabos!
Parecia que quanto mais eu implorasse, mais a Depressão ria desdenhosa, cruzando os longos braços ao dizer que eu poderia me tacar de uma ponte, que ela estaria sempre ali.
Irritada, taquei um vaso contra a sua escuridão.
A Escuridão da minha cabeça, da minha mente, da minha vida.
Mas algo aconteceu...
Eis que no meio do negro, vi um pontinho de luz, solitário, perdido.
Brilhava feito diamante e parecia sorrir em minha direção.
Eu, com os olhos inchados de tanto chorar, a voz rouca de tanto gritar, senti-me impelida a ir até ela...
Devagar, me aproximei e que coisa, era um pontinho bem pequenino no meio da Escuridão!
- É, você, você e você! - disse uma voz divertida. Olhei para os lados confusa. - Sentiu minha falta?
- Eu? Quem é você?
- Eu? - ela deu uma risadinha. - Oras, eu sou eu! Bem, na verdade eu sou você. Resolvi aparecer de repente, depois que você recebeu aquele cumprimento.
- Como...?
- Sou a Esperança, sua tolinha! - continuou rindo. - Você ficou tanto tempo nessa escuridão toda que até esqueceu de mim... - fez voz de choro. Continuei calada. - Se bem que... não importa! Vim te mostrar que nem tudo está perdido! Sua Ira fez você tacar aquele vaso e ele me acordou de um momento "estou hibernando"! Só que eu tenho que acordar todo mundo agora e estou morrendo de preguiça... Preciso da sua ajuda.
- Ajuda? Mas para que?
- Para acordar todas as outras pequenas Esperanças!
- Mas eu não quero - dei de ombros. - Estou bem assim... ninguém se importa!
- Eu me importo! - ela inflou de Revolta e cutucou um outro ponto na escuridão. - Esperança, ei, você! Acorda!
A outra acordou, iluminando mais um tiquinho da Escuridão.
- Ela não quer mais acreditar em nós! Não é um absurdo?
- Hein? Não acredita? - o outro Pontinho Brilhoso revoltou-se. Acho que era a Esperança Convencida. - Olha, meu bem, você pode até não querer acreditar, mas estou pouco me lixando para isso! Nem que eu precise acordar todo mundo, de uma em uma, você vai voltar a acreditar em nós!
E assim a Escuridão causada pela minha Depressão deu lugar ao Brilho da minha Esperança, agora renovada."
(Aimee Lee)
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